22 de novembro de 2009

Grafias Noturnas, L. F. Riesemberg

Sinopse (Contra-capa):
Abrem-se as portas do Inferno, e criaturas hediondas são liberadas na Terra para promover o caos e confundir os humanos. Assim têm início as histórias de Grafias Noturnas.
Um pequeno objeto descoberto enterrado no jardim pode levar o mundo a um colapso. Distintos cavalheiros do século XIX resolvem pregar uma peça no amigo, com consequências funestas. Um escritor encontra uma forma infalível para que não percebam que suas obras são, na verdade, plágios. Um jovem que, de tão obcecado pelos filmes violentos que assiste, resolve incorporar a persona de Charles Bronson e fazer justiça com as próprias mãos.

Relatos de pessoas comuns que se deparam com uma passagem para outro mundo: uma região além de onde a mente humana já conseguiu chegar.
Grafias Noturnas é uma coletânea de 21 contos fantásticos, que passeiam entre o natural e o sobrenatural, o amanhecer e o crepúsculo, conversando com Deus e com o Diabo,e remetendo a canções de ninar e a perversas maldições.
Apesar de gostar muito do gênero fantástico, tenho que admitir que não li tanto quanto gostaria desse estilo, mas isso vai mudar. Grafias Noturnas foi uma ótima surpresa, além de muito bem escrito, não é um diamante bruto, quando você lê sente que foi bem trabalhado, a seleção de contos é excelente e deve agradar os leitores (fãs do gênero ou não). O talento que Luiz F. Riesemberg mostra nessa obra de estreia, deixa claro que o trabalho dele vale a pena acompanhar. Para quem quiser ler algo dele é só visitar esse que é um dos blog do autor - Contos Fantásticos - lá ele posta contos dele e de outros escritores.
Encontrar um livro que se destaca e que se mantém fora da esteira é sempre empolgante, principalmente quando é daqui. Abaixo segue a lista dos 21 contos que compõe o Grafias Noturnas, com alguns comentários meus (sei que as vezes escrevo coisas estranhas, mas fazer o que - fiquei sem fôlego):

Os Contos (fui escrevendo conforme ia lendo):
Prólogo: A reunião - Uma reunião do Diabo, seus seguidores e outras "entidades" para desenvolver um plano de ação para mudar a realidade do mundo. É um inicio excelente ... cria expectativa, apesar de os participantes dessa reunião não serem nada comuns, ninguém que você encontra no dia-a-dia, passa um sentimento de um pouco perto demais da realidade ... brutal ..., e isso dá medo.

O Guarda-Chuva - Em um jantar, um grupo de amigos resolve fazer piada de um dos convidados, por que ele é muito certinho. Nossa esse "relóginho" me lembrou muito uma pessoa, o humor entre amigos com o tom sombrio deu a história uma atmosfera estranha, mas envolvente.

A Cápsula do Tempo - O nome resume o assunto. Esse me fez pensar direto nos seriados de ficção científica, é uma situação que eu adoraria viver rsss até eu já enterrei coisas por aí, seria legal encontrar algo também. O que senti lendo esse é que parecia que a história ia ficando maior (não maior de mais páginas, de grande mesmo).

A Visão - É sobre um menino cego que resolve dar mais uma chance a amizade. Um dos melhores, ao mesmo tempo que é sinistro passa uma mensagem positiva, o personagem do novo amigo é muito carismático.

O Botão - Muito bom ... adorei, eu vi um trailer no cinema esses dias (quando fui ver 2012) de um filme que vai estrear aqui no Brasil, com a Cameron Diaz e o cara que faz o Ciclope no X-Men, que lembra essa história - o nome é A Caixa/The Box - no trailer ela tem uma caixa com um botão, caso ela aperte ela ganha 1 milhão, mas alguém (qualquer pessoa) desconhecido vai morrer. Bem ... usando o google eu descobri que o filme é inspirado no conto Button Button de Richard Matheson, e pela resenha do blog Biblioteca Mal-Assombrada esse conto também é, isso me leva a conclusão de que eu não comentei nada que ninguém já não soubesse. rsss Mas gostei muito do clima da história, a narradora parece tão perdida.

A Luta do Século - Esse é sobre um novo lutador aguardando a luta com um peso pesado invicto. É difícil comentar esse sem entregar nada, então só digo que gostei por que é estranho.

O Balanço - Esse é bem triste, dá um nervoso.

Meu Herói - Achei ótimo, "soa" tão realista a conversa e a situação que parece mesmo que o garoto de 10 anos esta te contando, é para se pensar mesmo ... essa idéia de qual é o melhor super-herói.

A Doença do Porco - Puxa esse invande bastante a zona de conforto do leitor rssss, com certeza um dos melhores contos do livro.

A Lei de Lavoisier (Aplicada à Arte) - Um autor tentando lançar o seu primeiro romance, descobre a fórmula do sucesso. Esse é impecável, o que o escritor descobriu é um sonho né? eu mesma já sonhei isso, só que foi com músicas rsss. Fora que antes já tinha vontade de ler Dracula e O retrato de Dorian Gray e agora acho que vou ter que fazer algo a respeito, uma visita a biblioteca pública deve ajudar. Acho que esse é o meu favorito.

Racha - Eu não sou muito ligada em carros, mas esse soa como uma poesia, é uma música.

No bordel, depois da meia-noite... - Em mais uma noite no Bordel uma prostituta conta a sua história a um cliente. Achei esse muito bem escrito como os outros, eu realmente não esperava o que ia acontecer - e isso sempre é bom, passa um ar maduro e uma certa classe.

Panelas de Ouro - Eu gosto muito quando os personagens tem um jeito/sotaque puxado de algum lugar, os irmãos são bem broncos, mas são divertidos.

Atraso na Entrega - Bem original e criativo, a internet é um assunto que pode render muitas histórias e esse conto é um bom exemplo disso.

A Presa e o Predador - Esse é sobre um menino que sofre provocações de um colega maior - bullying (eu não gosto da palavra, não vejo por que não podem usar uma expressão em português - só para esclarecer a palavra não esta no conto). Um assunto que é próximo demais, alias muito comum hoje em dia é todo o tipo de violência nas escolas. Estaria mentindo se dissesse que não entendo o lado dessa presa, já que não tive uma experiência escolar lá muito boa, claro que a minha natureza pacifica me torna diferente do Mauro - o que é uma coisa boa (eu acho rssss).

Pessoas de Bem - É o que dizem né? pelo menos o Joey disse: - Não existem boas ações altruístas, mas aqui a ganância foi um pouco demais, e o pior é que tem muita gente assim.

A Máquina da Alegria - O nome diz o suficiente, esse tem um estilo bem diferente dos outros, é mais meigo (que palavra besta de se usar rsss). Curti bastante, tanto a maquina quanto a história.

A Emissora - Um homem esta viajando sozinho em uma estrada deserta até sintonizar em uma rádio desconhecida. Esse conto me lembrou de alguns filmes que assisti, quero dizer a parte de viajar sozinho por uma estrada sinistra, mas o que acontece depois não tinha passado pela minha cabeça. A idéia das músicas novas é bem interessante - até ler esse, achava que só o Tupac lançava músicas assim.

Gata Rainha - Adorei esse ... amo gatos, o narrador "conversando" com o leitor cria uma atmosfera bem diferente e um pouco perturbadora. A história é surpreendente!

Viva a Morte! - Mudar sempre é bom, nesse mudou bastante o tom e a época, um principe que faz o que tem vontade, mesmo que isso prejudique e muito o próximo. Que inconsequente! Viva a Morte!

Eu Não Matei Charles Bronson - Terminou muito bem, não só manteve o nível como esse último deve ser um dos melhores do grupo. Não tem muito suspense, tem um ritmo de ação e muita violência, ou seja tudo de bom. hehe

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Título: Grafias Noturnas
Autor: L. F. Riesemberg
157 páginas


Sofia é a mais nova leitora de Grafias Noturnas
Aqui (acima) ela estava pensando no que tinha acabado de ler, depois ficou possessiva.

20 de novembro de 2009

O Clube do Filme, David Gilmour


Sinopse:

David Gilmour, crítico de cinema desempregado e com o dinheiro contado, vivia uma fase complicada. Além disso, o filho de 15 anos colecionava reprovações em todas as disciplinas. Diante da falta de rumo daquele estudante perdido e despreparado, uma proposta paterna radical: o garoto poderia sair da escola - e ficar sem trabalhar e pagar aluguel - desde que assistisse toda semana a três filmes escolhidos pelo pai, e com o pai. Assim surgiu o Clube do Filme...


O livro foi uma decepção - pois amo cinema e criei grande expectativa. A minha maior curiosidade era sobre o clube em si, adoro assistir filmes (de quase qualquer gênero), e achei essa parte superficial e pretenciosa ao mesmo tempo - como isso? Bom ... ele não comenta o suficiente do filme para o leitor ter vontade de procurar por ele, mas as poucas menções que faz são bem do tipo "crítico sabe-tudo", ele comenta como se fosse um grande especialista e nós o resto dos mortais continuamos nessa simplória existência e nunca vamos conseguir entender e alcançar a sua profundidade - (nossa peguei um pouco pesado haha). Fora que muitos dos filmes são esses de listas obrigatórias - os clássicos mesmo - Casablanca, Bonequinha de Luxo, O poderoso Chefão, ... - nada contra claro, mas sei lá esperava mais - se ele entende tanto e a ideia é educar o filho em casa com filmes - deveria fugir do comum, até o que ele considera o pior filme é um bem óbvio já apontado por outras pessoas.

Os personagens ... bem ... o autor - David - apesar da maneira arrogante de apresentar os filmes, essencialmente é um cara legal, pai e marido (e ex-marido) dedicado, ele se mostra até bem humano - cheio de dúvidas e insegurança - afinal fez essa proposta de deixar o filho largar a escola e a sua carreira esta em crise - não me identifiquei com ele, mas é interessante. O filho Jesse, não gostei muito, ele é tão ... sei lá ... tapado e super sensível - nada contra pessoas sensíveis mas tudo o que é demais irrita, se bem que é o pai dele escrevendo e claro que esse pode ter uma visão do filho um pouco diferente da realidade, uma coisa positiva (ou não) é que dá para perceber que o filho não é tão problématico quanto o pai esta tentando pintar ele - para mim ele pareceu um adolescente bem comum - o autor tentou dramatizar um pouco pois pelo que é mostrado eles tem uma vida bem boa. A mãe e a Madastra não tem muito espaço na trama, são apresentadas muito brevemente então não sei o que pensar delas, os amigos/namoradas do Jesse também não apareceram o suficiente para serem relevantes, e todas essas pessoas poderiam ter sido melhor utilizadas na trama, muito material com potencial passou batido. Contudo é uma leitura rápida e fácil que incomodou essa cinéfila aqui.

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Título: O Clube do Filme
Autor: David Gilmour
232 páginas

Editora Intrínseca

13 de novembro de 2009

Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino

Sinopse:
Numa cidade de garimpo do Pará, conflagrada pelas tensões de uma corrida do ouro, um fotógrafo vive uma paixão clandestina com uma mulher misteriosa e sedutora. Mesmo sabendo dos riscos do jogo, ele decidi ir até o fim - e agora esta de volta para relatar o que viveu.
O livro é maravilhoso, a minha irmã até disse algo que concordo plenamente, já que sempre pedem para os alunos lerem na escola vários clássicos da nossa literatura - e isso não tem funcionado tão bem para "criar" novos leitores, esse seria uma ótima inclusão na lista de leitura das escolas, ele é relativamente novo, é muito bem escrito, envolvente, cheio de conteúdo e ainda passa aquele sentimento de que é tri por que é daqui. Eu nem acredito que deixei ele na prateleira por meses, o estilo e ritmo são excelentes, eu realmente não queria largar o livro, é com certeza um dos melhores que li nos ultimos tempos.

Cauby é um charmoso fotógrafo quarentão, é dedicado ao seu trabalho, ama música e livros - até aí tudo tranquílo, em um dia qualquer conhece uma linda e misteriosa mulher chamada Lavínia e como o amor tende a fazer - a vida dele muda pra sempre. A narração é bem diferente, pois desde o início Cauby entrega bastante sobre a sua relação com Lavínia, tanto falando diretamente com o leitor, como as vezes faz um ou outro comentário sutil durante conversas com amigos/conhecidos, e mesmo assim existem várias surpresas no desenvolvimento da história durante toda a leitura. Esse livro/romance parece tão sincero e real, mas com um bom toque de ação e eventos digamos inusitados - que não vão deixar ninguém entediado, os personagens são bem do tipo que me agrada, humanos, cheios de defeitos e qualidades - e o desfecho é .... bom eu acho que não tem como adivinhar muito dele durante a leitura.

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Título: Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios
Autor: Marçal Aquino
229 páginas
Editora Companhia das Letras