A geração Coca-Cola tinha pai: Renato Manfredini Junior, cujo alter ego Renato Russo ficou nacionalmente famoso na década de 90. O filho da revolução foi o poeta imortalizado em suas criações, o artista das palavras, mesmo quando repetidas, ele sabia exatamente o que dizer. Professor de inglês, amante do cinema, da TV e clássicos que iam da música erudita ao pop. Dono da inconfundível voz doce e carregada, que embalou um país abandonado.
“É tão estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais.” Love in the afternoom – Legião Urbana (Álbum: Descobrimento do Brasil).
O livro foi escrito com base em muitas entrevistas e depoimentos de Renato, seus amigos e colegas de bandas, conta com curiosidades e as inspirações que levaram Russo a compor alguns dos hinos da música brasileira desde os tempos de Aborto Elétrico, banda que Renato ajudou a fundar e pra qual ele compôs ‘Que país é esse?’, interpretada inúmeras vezes pelos amigos Herbert Viana (Paralamas do Sucesso), e Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), até uma das mais lindas histórias de amor, desta vez já da Legião Urbana, ‘Eduardo e Mônica’ à qual Renato teve como inspiração um casal de amigos.
O representante da nação surgiu em meio à revolta contra a ditadura militar, o que coincidiu com o inicio da cena punk em Brasília. É impossível não reconhecer na composição dela a alma da cidade que Renato apresenta tão bem num ‘longa sonoro’ chamado ‘Faroeste Caboclo’, uma música que só se entende e se ama quando se é brasileiro.
Foi à fala de um amigo de Renato numa entrevista que me chamou muita atenção, os artistas daquela geração queriam causar mudanças não só na música como junto à sociedade, a ideia era mobilizar e alterar padrões de comportamentos especialmente dos jovens, Clemente Tadeu Nascimento, da banda Inocentes, deu a seguinte declaração: ‘- Nós estamos aqui para revolucionar a música brasileira. Vamos pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer. ’
O punk Renato não durou suficiente, logo o poeta tomou conta de nossas vidas, embalou nossas festas e nos deixou um legado incrível e muita, mas muita saudade mesmo. Acredito que ninguém vai se esquecer daquele 11 de outubro de 1996 em que o Brasil perdia mais uma vez. Perdemos um colaborador, um lutador, um grande compositor, o filho da revolução e fundador da geração Coca-Cola.
Título: Renato Russo – O filho da revolução
Autor: Carlos Marcelo
Editora Agir
Ano 2009
415 páginas
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Carla Charão















