28 de fevereiro de 2011

Renato Russo – O filho da revolução, Carlos Marcelo

A geração Coca-Cola tinha pai: Renato Manfredini Junior, cujo alter ego Renato Russo ficou nacionalmente famoso na década de 90. O filho da revolução foi o poeta imortalizado em suas criações, o artista das palavras, mesmo quando repetidas, ele sabia exatamente o que dizer. Professor de inglês, amante do cinema, da TV e clássicos que iam da música erudita ao pop. Dono da inconfundível voz doce e carregada, que embalou um país abandonado.
“É tão estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais.” Love in the afternoom – Legião Urbana (Álbum: Descobrimento do Brasil).
O livro foi escrito com base em muitas entrevistas e depoimentos de Renato, seus amigos e colegas de bandas, conta com curiosidades e as inspirações que levaram Russo a compor alguns dos hinos da música brasileira desde os tempos de Aborto Elétrico, banda que Renato ajudou a fundar e pra qual ele compôs ‘Que país é esse?’, interpretada inúmeras vezes pelos amigos Herbert Viana (Paralamas do Sucesso), e Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), até uma das mais lindas histórias de amor, desta vez já da Legião Urbana, ‘Eduardo e Mônica’ à qual Renato teve como inspiração um casal de amigos.

O representante da nação surgiu em meio à revolta contra a ditadura militar, o que coincidiu com o inicio da cena punk em Brasília. É impossível não reconhecer na composição dela a alma da cidade que Renato apresenta tão bem num ‘longa sonoro’ chamado ‘Faroeste Caboclo’, uma música que só se entende e se ama quando se é brasileiro. 

Foi à fala de um amigo de Renato numa entrevista que me chamou muita atenção, os artistas daquela geração queriam causar mudanças não só na música como junto à sociedade, a ideia era mobilizar e alterar padrões de comportamentos especialmente dos jovens, Clemente Tadeu Nascimento, da banda Inocentes, deu a seguinte declaração: ‘- Nós estamos aqui para revolucionar a música brasileira. Vamos pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer. ’

O punk Renato não durou suficiente, logo o poeta tomou conta de nossas vidas, embalou nossas festas e nos deixou um legado incrível e muita, mas muita saudade mesmo. Acredito que ninguém vai se esquecer daquele 11 de outubro de 1996 em que o Brasil perdia mais uma vez. Perdemos um colaborador, um lutador, um grande compositor, o filho da revolução e fundador da geração Coca-Cola.  

Título: Renato Russo – O filho da revolução
Autor: Carlos Marcelo
Editora Agir
Ano 2009
415 páginas
Nota:

Carla Charão

RESULTADO do Sorteio Kit Almas Gêmeas, Elizabeth Chandler

Olá ... vamos ao momento tão esperado ... quem será o ganhador(a) desse lindo kit da Editora Novo Conceito??? Mas primeiro quero agradecer a Novo Conceito pela parceria, a todos os participantes e quem ajudou na divulgação - foram mais de 230 participantes e 1270 números ... muito obrigada.
Bom chega de enrolar, o sorteio foi feito pelo site random.org.... e o número sorteado foi ....
Parabéns Adriana!!! Estou enviando um e-mail e aguardo os seus dados em até 3 dias.

26 de fevereiro de 2011

Sorteio ENCERRADO Grotescas, Natsuo Kirino


Olá! Hoje o blog Livraria Outubro em parceria com a Editora Rocco inicia o sorteio de 1 exemplar novo do super lançamento Grotescas de Natsuo Kirino, esse é o 2º romance da autora que é lançado no Brasil. 

Então vamos as regras ...

Regras do sorteio (obrigatórias): 
  • Seguir o blog publicamente (Seguir na caixinha Leitores na barra ao lado)
  • Ter endereço de entrega no Brasil
  • Deixar um comentário aqui, dizendo: "Eu quero conhecer a história da irmã mais velha"
  • Preencher o formulário no final da postagem.
  • Inscrições até 23:59 do dia 26 de março de 2011 - O vencedor terá 3 dias para responder o e-mail (que vou enviar) com seus dados.
Números extras (opcional): (Preencher o formulário novamente para cada item)
  • Comentar na resenha (+ 1 número) 
  • Curtir a página da Rocco do Facebook (+ 1 número)
  • Seguir no Twitter: @ClaudiaCharao (+1 número)
  • Seguir no Twitter: @editoraarocco (+ 1 número)
  • Seguir e divulgar no Twitter (no máximo 1 vez por dia cada divulgação vale 1 número extra)
#Sorteio Eu quero ganhar o livro Grotescas, Natsuo Kirino - na Livraria Outubro http://migre.me/3X8su (@ClaudiaCharao) e (@editorarocco)
  • Divulgue no Skoob, Blog, Facebook e Orkut: (+ 1 número por  cada divulgação) 
Sorteio do livro Grotescas, Natsuo Kinino lançamento da Rocco no blog Livraria Outubro - Participem!!! Link -> http://migre.me/3X8su

 Banner para divulgação:






25 de fevereiro de 2011

Grotescas, Natsuo Kirino

Yuriko é um monstro (segundo sua irmã mais velha), ela é a garota mais linda do mundo, tão diabolicamente bela que chega a ser monstruosa.  A irmã mais velha – que não tem nome – é muito feia, a mistura da mãe japonesa com o pai suíço só beneficiou Yuriko, a outra teve que se contentar com sua inteligência e sua infinita maldade. Kazue é uma garota muito esforçada e competitiva, ela se aproxima das irmãs por motivos bem diferentes que com certeza vão mudar o rumo de sua vida. Essas três mulheres formam o núcleo de Grotescas, a narração as acompanha da infância até a fase adulta nesse romance original e chocante.

No inicio, a irmã mais velha e narradora dessa história, já é adulta e acaba de descobrir que Yuriko e Kazue foram assassinadas em serviço – ambas eram prostitutas, e o mesmo homem esta sendo julgado pelos crimes. Isso seria uma tragédia para qualquer um, a irmã e ex-colega mortas, acontece que a mulher sem nome sempre teve ódio de ambas e jura para o leitor (ela narra como se estivesse conversando) que pouco se importa com o fim delas, mas ainda assim ela resolve nos contar a sua história; e por consequência como as vidas das três se cruzaram. Ela nunca conseguiu aceitar a irmã, sua burrice e beleza eram um verdadeiro tormento, trabalhar duro e ainda sim ser rejeitada por todos enquanto a jovem irmã conseguia qualquer coisa apenas agraciando a todos com sua simples presença parecia injusto. A pobreza da família unida a avareza do pai só piorava a dinâmica dessa família. Ainda assim, com muita dedicação a narradora conseguiu ser aceita na escola de elite para garotas do sistema Q e foi morar com seu avô – personagem que rouba a cena por sua personalidade extrovertida e sua obsessão por bonsais. Kazue entra na história como colega da irmã feia e também caloura do Ensino Médio, as duas chegam a Escola Q com a ideia de que a parte difícil já havia passado com o recebimento da carta de aceitação e agora era só seguir a rota do sucesso e felicidade, acontece que notas excelentes não são o suficiente e a realidade, primeiro na escola e depois na vida, pode ser cruel. As três jovens vão ter que lutar muito, primeiro por serem mulheres já tem limitações na sociedade, e ainda tem os obstáculos da feiura e da beleza – e a dura realidade de que ás vezes dar 100% de si ainda não é o bastante.

Essa narração é bem diferente, a irmã feia é a narradora principal, só que em três capítulos a história é apresentada sem a influência dela, em dois deles temos a oportunidade de ler os diários de Yuriko e Kazue e no outro Zhang Zhe-zhong – o imigrante chinês acusado de matar as duas prostitutas, a pedido do juiz escreve a sua história. Uma história forte e perturbadora, os personagens são bem desenvolvidos e explorados psicologicamente, o leitor acompanha algumas batalhas internas. A leitura prende a atenção, tem momentos comoventes e brutais – mesmo, afinal são mulheres (algumas prostitutas) assassinadas com histórias extremas, de pobreza e todos os tipos de dificuldades; tudo narrado no estilo genial dessa autora que já me conquistou, então recomendo.

Título: Grotescas
Inglês: Grotesque
Autora: Natsuo Kirino
Tradução do Inglês para o Português: Alexandre d'Elia
Tradução do Japonês para o Inglês: Rebecca Copeland
576 páginas
Editora Rocco
- Twitter - Facebook
Nota:

22 de fevereiro de 2011

O Efeito Facebook, David Kirkpatrick


Facebook é uma rede social criada por Mark Zuckerberg e alguns amigos, dentro dos dormitórios da Universidade de Harvard em 2004. No inicio a rede podia ser acessada somente pelos alunos de lá e foi um sucesso instantâneo, depois foi aberta para as outras Universidades pertencentes à Ivy League (consideradas as melhores do EUA pela excelência e exclusividade) e então para as outras, inclusive no exterior, até finalmente ser aberto ao publico geral.

O Facebook deve ser a celebridade das redes sociais, afinal tem muitas fofocas e teorias da conspiração sobre ele espalhadas pela internet e isso que me deixou intrigada. Li o livro Bilionários por acaso e assisti ao filme A rede social ambos sobre o assunto, mas só depois de ler O efeito facebook que passei a entender o motivo de tanto interesse e controvérsia em torno de um site. 

Bilionários por Acaso (resenha) e A rede social focam nas duas maiores brigas judiciais envolvendo a rede. Um dos processos foi movido pelo amigo (conhecido ou sei lá) de Mark Zuckerberg - Eduardo Saverin que viu a sua cota e participação na empresa quase se extinguir durante as muitas reformulações nos contratos da empresa. O outro envolvia três alunos mais velhos de Harvard que contrataram Mark para desenvolver um e agora alegavam que o mesmo havia roubado a ideia deles. Achei que o filme ficou muito bom, ainda melhor que o livro, tanto o roteiro quanto as atuações foram  excelentes e não vi problemas nas mudanças da trama e da personalidade dos envolvidos, pois como filme - a história foi mostrada da maneira mais interessante e humana possível, e exatamente por fugir um pouco da realidade que os atores puderam mostrar o seu talento.

A narração de David Kirkpatrick em O efeito facebook não dá muita atenção a esses casos jurídicos. O livro mostra os bastidores da criação da rede social e as inúmeras possibilidades que ela oferece. 
Inicialmente a ideia era criar uma rede social onde você tivesse que inscrever-se com seus dados verdadeiros e poderia encontrar e acompanhar a vidas das pessoas que conhece de verdade - apenas unir os amigos na internet, diferente do MySpace que acabou se tornando uma vitrine de aspirantes a alguma coisa. O conceito foi evoluindo, mantendo o intuito de partilhar os seus dados e interesses reais, mas se transformando em uma plataforma onde qualquer pessoa pode criar, desenvolver e compartilhar uma ideia/produto. O autor mostra bem o potencial dessa ferramenta, com vários exemplos recentes, como algumas campanhas políticas e manifestações – nesse caso têm as políticas e outras  para entretenimento ou de conteúdo duvidoso.

O livro é genial, assim como os seus "personagens", as jogadas de marketing usadas por eles, quando nem tinham uma equipe nessa área ainda, são demais. Mesmo sem experiência em propaganda eles foram criativos e souberam fazer com que as pessoas escolhessem o Facebook e não algum concorrente, como quando abriram o site para as universidades próximas ao seu verdadeiro alvo. Claro que existem lugares como o Brasil e a China que continuam fiéis a outras redes, e esse é o motivo pelo qual eu resisti ao site, acompanhando fóruns universitários estrangeiros eu via as pessoas comentando como o Facebook era ótimo para encontrar colegas/amigos atuais e antigos, mas como aqui no Brasil o pessoal não migrou para lá, quando me inscrevi não encontrei muitos colegas ou conhecidos lá – e esse era o maior atrativo dele para mim. Claro que com o tempo fui percebendo as facilidades que o site oferece – como o conteúdo, a proximidade com as empresas, produtos,... - e o uso do perfil para cadastro em outros sites. Contudo a leitura foi melhor e mais informativa do que esperava, consegui entender o quadro como um todo, como poderia ser útil (se usado de maneira positiva) uma rede mundial – além de ver o trabalho por trás de um projeto desse tamanho e as diferentes maneiras que a publicidade é e pode ser utilizada na internet.

Como não poderia ser diferente, o livro tem sua própria página Facebook - Curte lá :)
Título: O efeito facebook - Os bastidores da história da empresa que conecta o mundo
Original: The Facebook Effect: The Inside Story of the Company That Is Connecting the World
Autor: David Kirkpatrick
392 páginas
Editora Intrínseca
Nota:

20 de fevereiro de 2011

[Dicas] Tag/Marcador Japonês


Oi, como eu gostei de fazer a postagem -> [Dicas] Livros que empurro para todos que conheço <- trouxe um novo tema para comentar.


O escolhido de hoje é o Tag/Marcador ... Literatura Japonesa. Vamos as dicas:

 
O romance policial Do outro lado, Natsuo Kirino me impressionou muito, é totalmente diferente de qualquer outro do gênero que já li e os personagens são super bem construídos. É a história de quatro mulheres bem diferentes, que se conheceram no trabalho (uma fabrica de quentinha), uma delas comete um crime e no desespero resolve chamar as outras para ajudar a se livrar do corpo. Parecia uma tarefa que ia render dinheiro fácil, mas é claro que quando muita gente sabe de um segredo muita coisa pode dar errado.

[Editora Rocco / 543 páginas]

 
O romance Kafka à Beira Mar, Haruki Murakami é sem dúvida um dos melhores livros que eu já li, o autor desenvolveu uma trama magnifica e conseguiu acrescentar elementos sobrenaturais de maneira original e sutil. A história é contada por dois personagens: Kafka, um adolescente que foge de casa e segue os seus sonhos, literalmente, em uma viagem de autoconhecimento. Nakata é um idoso que passou por uma experiência traumática na infância que mudou o seu ser para sempre.
[Resenha / Editora Alfaguara / 571 páginas]

18 de fevereiro de 2011

Desafio Nacional

A Mi Muller do Bibliophile me passou um desafio com 6 perguntas sobre livros nacionais, a ideia é da Nanda Meireles.
 
1- Quantos livros nacionais há na sua estante?

36

2- Quando e qual foi o último livro nacional que você comprou?

Foi em Novembro/2010, na Feira do Livro de Porto Alegre, comprei A Copa que interessa, Eduardo Menezes (Ed. Dublinense) e Desacordo Ortográfico, vários autores (Não Editora).

3- O que achou dele?

Ainda não li nenhum dos 2, mas estou diminuindo a pilha e comprando menos para ler os que tenho a mais tempo.

4- Dentre os livros que você já leu, qual mais te desagradou e qual mais te surpreendeu?

Desagradou, me perdoem os clássicos, foi A Bagaceira, José Américo de Almeida.
Surpreendeu, A mulher que escreveu a Bíblia, Moacyr Scliar - não que eu esperasse que fosse ruim pois já tinha lido alguma coisa do autor, mas ele é bem diferente do que havia antecipado.

5- O que acha que falta aos autores nacionais para que a barreira do preconceito dos leitores seja vencida?

Sinceramente, não tenho a mínima ideia, estou sempre divagando sobre o comportamento das pessoas, mas preconceito é algo muito amplo e complicado para tentar apontar algo.

6- Cite três livros nacionais que você espera ler em breve:

O Seminarista, Rubem Fonseca
Fúria Lupina, Alfer Medeiros
Desacordo Ortográfico

7- Indique 5 Blogs para responder à esse desafio:

RESULTADO do Sorteio de Marcadores ID

Vamos ao sorteio do Kit ID
Atenção o sorteio foi refeito pois o sorteado anterior estava participando com 2 contas. O site Sorteie.me escolheu .....  @leituras_eliane, Link do Sorteio AQUI .... Parabéns Eliane!!!! mande o seu endereço para o meu e-mail -> claudiacarpim@gmail.com

Agora o Kit sorteado entre os comentários do post
Esse eu fiz o sorteio no random.org, e aí esta o resultado:
O comentário de número 22 pertence a ....
Erica Belancieri de Souza, parabéns Erica :)

Quem não ganhou, não fique triste ainda tem o sorteio do Kit Almas Gêmeas para participar e logo mais começam outros.

Um ótimo fim de semana a todos!!!

14 de fevereiro de 2011

Sorteio ENCERRADO de Marcadores ID

ENCERRADO
Como hoje acabou uma promoção, resolvi iniciar outra, eu mostrei no Twitter os marcadores que recebi da Editora ID:
Então para participar do sorteio desse Kit é fácil, basta seguir o blog @ClaudiaCharao (não se preocupem pois eu nem twito muito rsss) e a Editora @editoraiD e twitar a seguinte frase: ENCERRADO

Eu quero os #marcadores da @editoraiD que a @ClaudiaCharao do Blog Livraria Outubro esta sorteando ->http://migre.me/3SlCg

ATENÇÃO - Como eu sei que tem gente que não gosta ou não tem Twitter, eu vou sortear entre os comentaristas dessa postagem o seguinte Kit:
Atualização: Para participar (aqui):
  • Comentário + nome e e-mail
  • Caso esteja participando pelo Twitter, deixe o seu Twitter também
OBS1: Quem se inscreveu antes de eu arrumar as regras (1-5), caso seja o sorteado -eu tento contato pelos dados da conta do blogger mesmo, além de anunciar aqui (twitter e facebook).
OBS2: Podem participar dos 2 sorteios, até Sexta (18/02) ao meio-dia, claro que se o ganhador do Twitter for o mesmo dos comentários, vai ter sorteio novo :).

Participem e Boa sorte!!

RESULTADO Sorteio A Corrente, Estevão Ribeiro

Olá a todos ... então vamos ao resultado de mais um sorteio, quero agradecer a Editora Draco pela parceria, a todos os participantes e quem ajudou na divulgação, foram mais de 130 participantes e 644 números (contando os extras) - muito obrigada.
Os sorteios feitos com formulário eu sempre faço no site - http://www.random.org/, então vamos ao número sorteado... 
 E a ganhadora foi ..... suspense ....
Parabéns Ju Oliveira :)!!!! Você ganhou 1 exemplar de A Corrente, Estevão Ribeiro (Resenha AQUI)
Estou enviando um e-mail e aguardo a sua resposta com dados para envio.

Para quem não ganhou ... tem uma promoção no Ar, Kit 3 de Beijada por um anjo (Almas Gêmeas) AQUI e logo mais tem novas promos por aí.

11 de fevereiro de 2011

Meu país inventado, Isabel Allende

O Chile também teve o seu 11 de setembro, claro muitos anos antes, quando o presidente eleito era o comunista Salvador Allende, primo da autora, o país sofreu um golpe de estado justamente durante o mandato dele, curioso não?!
Foi num 11 de setembro de 1973 que o Chile perdeu o direito de escolha. A democracia algo fundamental “até” para cometer seus próprios erros enquanto país.
O curioso é que ‘Meu País Inventado’ coloca os EUA como participante ativo nesta decisão de tomada pelo poder.  Quando as forças armadas assumiram o país, o general Augusto Pinochet sequestrou o Chile e os chilenos, um abuso de poder que durou 16 anos. O livro da autora nascida no Peru, cidadã chilena Isabel Allende conta em partes sua infância, suas inspirações para sucessos como “A Casa dos Espíritos”, mas principalmente conta como foi difícil fugir de casa, abandonar tudo em que acreditava, e o pior abandonar a luta pela liberdade: própria, dos amigos, da família e dos chilenos. O livro é uma amostra, uma visão romântica e saudosa do país, muito fiel a algumas realidades, porém escrito quando Isabel já não vivia mais ali, creio que assim foi mais fácil contar o lado bonito do Chile. Isabel faz alguma menção à religião predominante, o catolicismo, mas ela pegou leve, pois a verdadeira religião no Chile é o machismo, a autora sinaliza isso em algumas passagens, mas não aponta o dedo para as dificuldades que era e ainda é ser mulher no Chile. Um livro de memórias fascinante que recomendo principalmente para aqueles que irão ou já foram a este país ‘alto e magro’. 

Título: Meu país inventado
Original: Mi País Inventado
Autora: Isabel Allende
Tradutor: Mario Pontes
Editora Bertrand
238 Páginas
Nota:

Carla Charão

9 de fevereiro de 2011

A arte de ser desagradável, Jim Knipfel

Desafio Literário 2011
Tema: Biografia e/ou Memórias
Mês: Fevereiro

Título: A arte de ser desagradável
Original: Ruining it for everybody
Autor: Jim Knipfel
Tradução: Marcia Heloisa Amarante Gonçalves
247 páginas
Editora Bertrand
Nota:




 
Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi... um pouco óbvio não? - aquele cérebro ali. Acho que a capa combina bem com o título e apesar do gosto duvidoso ela cumpre o seu papel – chama a atenção e desperta a curiosidade.

O livro é sobre... a vida do colunista norte-americano Jim Knipfel. O escritor tem um estilo bem cru, sem floreios e usa várias referências da cultura pop (música, cinema e literatura) e da história que só enriquecem o texto, principalmente por que ele não o faz de maneira pretenciosa. O foco da narração é o que diz o título, a arte de ser desagradável, o autor fala abertamente de como sempre foi uma pessoa destrutiva, agressivo e maldoso com as pessoas sem motivo aparente. Ele conta também sobre a sua saúde que sempre foi um problema, ele tem dificuldades para caminhar e esta perdendo a visão por algumas doenças diferentes que desenvolveu, só não pense que ele usa essas debilidades como desculpa, não – ele admite que suas atitudes são desnecessárias e infantis – quando direcionadas a pessoas que não merecem tal tratamento. Além disso, acompanhamos a sua carreira  e romances, foi difícil não comparar com os livros do Charles Bukowski, pois quando Jim ainda não conseguia viver apenas do seu trabalho como escritor, teve vários empregos que odiava para se manter, e claro, sustentar o seu vício em álcool e as ocasionais apostas em jogos de azar.

O que achei estranho é que a apresentação na orelha do livro dá a entender que a história dele é cheia de absurdos e atrocidades e na real tem bem mais discussões filosóficas do que ação, ele é mesmo desagradável, prejudicou os outros só por que podia, mas não é tudo isso que promete e que ele mesmo parece acreditar. De qualquer maneira, ele é interessante, afinal até os seus muitos passeios a diferentes bares prenderam a atenção, fora que a sua filosofia e senso de humor já valem o livro todo. 

Eu escolhi este livro por que... parecia (e é)  controverso, bem humorado e realista.

A leitura foi... surpreendente, esperava algo completamente diferente, mas não decepcionou, pois o cara sabe escrever, foge do comum.