31 de julho de 2011

Inside Girl, J. Minter


Inside Girl é uma spin off - série de livros derivada de outra - chamada The Insiders, assim como It Girl e Gossip Girl. The Insiders tem como núcleo 5 garotos da elite de Nova Iorque, eles são populares, ricos e tem livre acesso às melhores festas da cidade. Inside Girl é protagonizado pela irmã de 14 anos de um desses caras, a Flan Flood.
Flan esta voltando das férias para começar o seu 1º ano do Ensino Médio (High School), pelo legado da família, ela já esta em vantagem comparada ao pessoal da sua idade no quesito social, pois frequenta as festas VIPs com celebridades e é amiga dos jovens mais importantes de Nova Iorque. Acontece que ela não quer mais saber dessa vida, quer “vencer sozinha” por isso decide deixar a sua escola particular e ir para uma pública onde ninguém a conhece. Então como podem notar a comparação a Gossip Girl não fica só no lance das séries irmãs, Inside Girl eu diria que é uma versão mais leve de Gossip Girl, tem as festas, as roupas, ...já as intrigas são bem amenas.
Na escola pública eu esperava que Flan tivesse dificuldades por ser linda e rica, acontece que lá não tem nenhum pobre de verdade (ou eles são só figurantes), então ela logo conhece alguns jovens um pouco menos ricos do que ela e passa a ter sua própria vida social. Em casa ela esta acostumada a ficar sozinha, pois o irmão Patch (The Insiders) e a irmã February têm vidas fabulosas que os mantém fora a maior parte do tempo – e os pais estão sempre viajando a passeio, mas esse ano não vai ser assim, 3 amigas vindas de sua antiga vida acabam indo morar na sua casa. Sara-Beth Benny é atriz desde a infância e agora na sua luta contra os paparazzi esta provisoriamente sem teto. Liesel Reid é uma das garotas mais populares e bonitas da cidade, ela é poderosa também, ela coordena as listas de convidados VIPs de várias boates da moda. Philippa Frady é outra jovem incrível que tem um romance estilo Romeu e Julieta com um dos Insiders. Agora Flan vai ter que manter os seus 2 mundos separados sem negligenciar os novos ou os velhos amigos.

Como já disse é uma leitura leve e fácil alias bem inocente – as atitudes dos personagens não contrastam muito com a idade deles e até as maldades são boazinhas - portanto é leitura apropriada para vários públicos, é bem juvenil. A vida de Flan é bem fora da realidade então identificação não acontece – e eu não esperava mesmo; mas é engraçado acompanhar os “problemas” dela. No geral a protagonista é uma garota bem legal, desencanada, claro que tem suas futilidades, como quando ela descreve Bennett (o 2º garoto mais bonito de sua série) – ela o considera querido e divertido sabe se lá por qual razão, já que a única descrição que faz dele é sobre o seu cabelo loiro sujo e suas roupas. Então vou pegar a expressão que li em um resenha da Leitora Compulsiva e classificar esse como Sessão da Tarde - divertido e nada sério - o que às vezes é exatamente o que a gente quer.

Título: Inside Girl
Autora: J. Minter
246 páginas
Editora ID 
Série Inside Girl
  1. Inside Girl
  2. Inside Girl - A Coisa mais doce
  3. Some Kind of Wonderful (ainda não lançado no Brasil)
  4. All That Glitters (ainda não lançado no Brasil)
  5.  Good Luck Charm (ainda não lançado no Brasil)
Nota:

27 de julho de 2011

Insanas ... elas matam!

Insanas é uma antologia lançada pela Editora Estronho, os contos foram escritos exclusivamente por mulheres e a proposta é mostrar toda maldade, terror, loucura,... que o sexo frágil é capaz de criar. Não costumo entrar nesses méritos, porém não posso deixar de comentar sobre o livro físico em si, ele é de excelente qualidade (o papel e o trabalho), tanto a arte de capa quanto interna é terrivelmente bela.
Eu adoro contos – principalmente de terror/suspense, mas acho um pouco difícil escrever sobre eles, pois quero comentar cada um, mas não revelar demais para não estragar para ninguém, fora que obviamente gostei bem mais de alguns do que outros, de qualquer maneira leiam sem medo, pois tomei o cuidado de não falar demais. 

O bem e o mal [Sandra Franzoso] é o dilema de Amanda, a narradora impulsiva dessa história, uma jovem que parece bem centrada e coerente, mas tem uma ideia de diversão bem perturbada.

Em Tinta vermelho sangue [Bruna Caroline] a personagem principal sempre sonhou em ser uma escritora e tem aquela sensação que muitas pessoas sentem (ou já sentiram) de que um local, material, momento especial são necessários para desenvolver um trabalho. Achei bem inteligente a maneira que a autora desenvolveu o conto em cima disso. 

A última oração [Tatiana Ruiz] se passa em 1700 e acompanhamos a vida difícil da jovem Melissa, que vai morar desde bem cedo em um convento devido a uma promessa da mãe. A atmosfera triste e sombria da narração transparece em cada palavra/expressão escolhida pela autora, achei isso bem marcante. 

Do inferno [Georgette Silen] é a história de um assassino contada de maneira poética, é violento e estranhamente bonito. 

A Fazenda [Alma Kazur] é o lar de uma família rica e influente que pratica estranhos rituais envolvendo corpos vivos e mortos, e claro muito sangue. Lembrou alguns textos que li sobre os primeiros serial killers por volta de 1800, que eram pessoas influentes da sociedade que possuíam câmaras de tortura escondidas em suas casas onde praticavam todo tipo de atrocidade por esporte – que também faz pensar no fato que a gente realmente não faz ideia do que acontece dentro das casas dos outros. 

Vítimas [Celly Borges] é um conto nervoso, André é rico e mora em uma mansão com empregados, tudo deveria ser ótimo, só que hoje foi um péssimo dia para se acordar nessa casa, as pessoas estão morrendo e o responsável pelas mortes é um ser bem difícil de derrotar. É como aqueles pesadelos que você esta fugindo, caí e não consegue levantar, a minha solução foi sempre fingir estar morta, mas não sei se para André e os amigos isso vai funcionar. 

Anita [Carolina Mancini] é uma garota singular que tem uma vida protegida e envolta em mistérios. É atraente o questionamento sobre a beleza e feiura, inocência e malícia. 

O relógio perfeito [Natália Couto Azevedo] é a obsessão de Vitória, a brilhante insana central dessa trama. 

Bianca [Gisele G. Garcia] é a namorada de Tiago que morreu ainda na adolescência, 20 anos depois vamos descobrir como essa perda ainda o afeta. Esse me surpreendeu exatamente por que parecia que o desfecho era óbvio. 

Desagravo [Laila Ribeiro] tem um cenário fantástico, nesse mundo além de humanos existem dois clãs rivais, Stephania (a protagonista) é o fruto do amor proibido entre a feiticeira de um lado e um bruxo do outro. Todos acham vantajosa a situação da garota devido às infinitas possibilidades, mas tudo o que ela mais queria era fazer parte de algo. O enredo mágico e clima de romance a principio contrastam um pouco com os outros contos, mas logo a maldade se instala – ao estilo violência gratuita. 

Pecado Original [Roberta Nunes] mostra uma realidade onde as mulheres estão no poder em todas as áreas, os homens devem servir por portarem a doença – o pecado. Um dos meus favoritos pelo enredo (realidade alternativa) é diferente e bem desenvolvido. 

Quer uma torrada? [Débora Moraes] é um conto breve e fluído, gostei muito dele, tudo acontece rapidamente, não sabia o que esperar além da torrada. 

Flor de lis [Suzy M. Hekamiah] é também sobre um assassino, não se pode subestimar o medo que o suspense e a perseguição podem causar - muitas vezes o terror do trajeto é pior que o desfecho em si.

As Memórias [Alícia Azevedo] da Neter que acompanhamos nesse conto, vão da infância em um orfanato até a alta sociedade de Paris, com algumas referências distintas como Moulin Rouge e o Dr. Jekyll (Senhor Hide) – que sempre enriquecem uma história, contudo a ótima qualidade e profundidade da narrativa já se mantêm por si só. 

Amor masoquista [Laris Neal] o nome já diz tudo, é sobre um relacionamento e a dor que certas atitudes dos parceiros podem causar.

Esse livro foi um excelente companheiro, muito bom conhecer (de longe né) os personagens que essas mentes insanas criaram. Os contos são bem diversificados, protagonizados por homens e mulheres de vários estilos, alguns comuns que poderiam ser o vizinho e outros distantes/alheios, que vivem histórias cheias de terror (incluíndo psicológico), suspense e drama. É sempre interessante ver o que pode sair de uma proposta como essa antologia, as autoras encontraram nos mais diversos elementos, assunto para seus contos, exploraram a religião - tema bem polêmico porém cheio de possibilidades, também o sobrenatural, outras épocas, outros mundos - algumas ficaram na rotina do dia-a-dia - que considero um cenário bem assustador por invadir a zona de conforto. Alguns contos são profundos e envolventes, você até quase aceita os motivos para tanta maldade, outros são frios ou distantes e o crimes hediondos. Então fica a dica, histórias com sangue, paixão, sexo, loucura, amor ... só cuidado, elas matam. 

Título: Insanas ... elas matam!
Autoras: Sandra Franzoso, Bruna Caroline, Tatiana Ruiz, Georgette Silen, Alma Kazur, Celly Borges, Carolina Mancini, Natália Couto Azevedo, Gisele G. Garcia, Laila Ribeiro, Roberta Nunes, Débora Moraes, Suzy M. Hekamiah, Alicia Azevedo & Laris Neal 
Organização: M. D. Amado
164 páginas
Editora Estronho
Nota:

21 de julho de 2011

Axolotle Atropelado, Helene Hegemann


Bem acho que antes de começar a falar do enredo do livro em si, tenho que comentar sobre a minha pré-leitura:

O que é um Axolotle afinal?

- Este é um axolotle bebê – diz Simon. 
- Um axolotle? 
- Um axolotle bebê. Ele tem o sorriso mais amistoso de todo o planeta, leve-o para casa. Parece um personagem de história em quadrinhos, não tem grandes aspirações e permanece toda a sua vida no estado anfíbio, quer dizer, ele simplesmente não se torna adulto. Louco, não?       (pg. 134)

Esse bichinho adotado pela protagonista Mifti graças à identificação entre os dois, é um tipo de salamandra mexicana que não passa da fase larval, muita usada em laboratórios devido a sua capacidade de regeneração.

Agora outro ponto que despertou a minha curiosidade antes do lançamento, o fato de a autora ter sido acusada de plágio, na obra ela utilizou alguns trechos de outros livros e blogs como inspiração para algo que chamou de mixagem literária, o que acabou criando uma grande polêmica e motivo de discussão em torno do livro, que já chamava a atenção pelo conteúdo forte. Bom, não vou tomar partido afinal não tem como saber quem tem razão, é um daqueles assuntos que é dividido por uma linha tênue, no final do livro tem as fontes e a comparação entre o texto da autora e as suas inspirações. Acho muito valida e legal a liberdade dos dois lados de debater sobre o assunto, fora isso tenho que admitir que adorei a ideia da mixagem literária e acho que deveriam criar um festival regado a livros e rock and roll com essa ideia.

Já filosofei bastante, agora vamos ao ilustre causador de tanto debate – o livro.

A trama é apresentada de maneira bem informal, às vezes são e-mails trocados entre os personagens, ou mensagem de texto e até como um diário - só que com diálogos inteiros entre Mifti e algum dos familiares ou amigos. Você nota pelo vocabulário e jeito de “falar” quem esta interagindo com a narradora, fica mais envolvente quando utilizam esse recurso para mostrar a personalidade dos personagens.
O que quero?
Que você ria, que você chora, que você saiba o que você tem. Que você não pense que esta sozinha, que você seja livre, que você venha para a minha casa, que você pare de esquecer tudo, que você não tenha que fazer nada, que você queira qualquer coisa, que você trilhe novos caminhos, que você me deixe para trás. Se tiver que ser.
(pg. 186)
Mifti é uma jovem adolescente alemã, vive em Berlin e tem uma vida bem desregrada, mora com os irmãos - que apesar de adultos não são o que chamo de responsáveis. É ela que o leitor acompanha diariamente e assim mesmo não tem como dizer que a conhece, ela esta bem perdida, nunca vai à escola, esta sempre sob o efeito do álcool e/ou drogas, e enfrenta vários dilemas internos.
Ontem a noite ele percorreu a Kastanienallee completamente nu, sob o efeito da fenciclidina dissociativa, e quando chegou em casa falou algo sobre um cara que cortou o seu próprio pau sob o efeito de PCP, engoliu-o e depois vomitou-o, rindo. Eu amo os meus irmãos.
(pg. 46)
A trama aborda vários assuntos difíceis de forma bem gráfica e crua, como o uso de drogas, abuso, homossexualismo. Os personagens têm debates abertos com pontos de vista inusitados sobre estupro e outros temas, inclusive a morte. Então devo avisar que não é uma leitura fácil, contudo é rica e atual. A jornada de Mifti é brutal – a garota sem dúvida nenhuma faz e diz muita bobagem, mas não vi maldade nela, ela esta deprimida e não tem nenhum tipo de apoio, acaba se colocando em péssimas situações, a verdade é que invejei sua força em diversos momentos. Os amigos estão envolvidos em seus próprios vicios e dramas, os irmãos (incluindo Mifti) parecem em constante conflito por causa de seus egos enormes, o pai não sabe o que seu papel significa e a mãe é um mistério a maior parte da narração, como diz a minha mãe, é sempre culpa da mãe - e convenhamos essa é apenas uma maneira de encarar tudo, o grande lance é que boa ou má a garota é genial e seu diário tem material de sobra para analise e reflexão. 

Título: Axolotle Atropelado
Original: Axolotl Roadkill
Autora: Helene Hegemann
Tradução: André Delmonte
208 páginas
Editora Intrínseca
Nota:

20 de julho de 2011

Resultado do Sorteio do livro O Caso Laura, André Vianco

Olá Leitores! Então quem vai levar para casa um exemplar de O Caso Laura? Esse sorteio foi feito em parceria com a Editora Rocco, agradeço a Editora pela parceria e a todos vocês pela participação.

Vamos ao resultado ...
Esse número é o da inscrição de ...
Parabéns Celsina, estou enviando uma mensagem para o e-mail fornecido e aguardo os seus dados.

19 de julho de 2011

Sorteio Encerrado via Twitter de Destino, Ally Condie

Olá leitores, eu já falei sobre Destino aqui e graças ao @blogdaguardia (que fez o Evento de Porto Alegre) e a parceria com a @Suma_BR vamos ter o sorteio de um 1 exemplar aqui. 

Para participar é fácil ...

Regras: 
  • Seguir o blog publicamente (Clicar em Seguir na caixinha Leitores na barra lateral)
  • Ter endereço de entrega no Brasil.
  • Deixar um comentário aqui dizendo: "Qual será o meu destino?"
  • Seguir no Twitter: @ClaudiaCharao e  @Suma_BR e Twittar (no máximo uma vez  por dia):
RT Qual será o meu Destino? #Sorteio do livro Destino, Ally Condie [@Suma_BR + @ClaudiaCharao] - Info: http://kingo.to/Jzw
  • Inscrições até às 23:59 do dia 09 de agosto de 2011.
  • Perfis criados apenas para sorteios não serão aceitos.

Resultado do Sorteio do livro Insaciável, Meg Cabot

Olá leitores! Vamos ao resultado do sorteio do livro Insaciável, Meg Cabot em parceria com a Galera Record ( @galerarecord) - que tem resenha no blog ... quem será que vai ganhar um livro novinho??

O exemplar de Insaciável, Meg Cabot vai para...
Parabéns @Milla_Schmidt :) envie seus dados para o e-mail claudiacarpim@gmail.com e deixem o endereço de e-mail usado aqui nos comentários, para confirmar que é você mesmo.

18 de julho de 2011

Estação Jugular, Allan Pitz

No novo romance de Allan Pitz, o narrador-personagem esta fugindo de um hospital que tinha métodos bem pouco ortodoxos de tratamento – na verdade bem cruéis, e ele acaba embarcando em um ônibus estranho com destino incerto – que tem como cenário de fundo várias telas de Van Gogh. O motorista do veiculo é um cara bem peculiar, algumas vezes é maléfico e outras bonzinho – um pouco como um pai:

Sunset
- Tem gente que vive passando por cima dos outros ... Por exemplo: Eu digo que amo o planeta, com o ar-condicionado ligado. Eu digo que quero ajudar e gasto dois mil numa etiqueta integradora de vazio. Eu passo por cima dos outros. Passo por cima da criação. (pg.18)

Desde o inicio dá para notar que essa vai ser a viagem da vida desse narrador-paciente, uma verdadeira aventura, cheia de momentos bizarros, como a invasão de um marginal e o atropelamento de alguns farrapos. Durante o percurso, a viagem acaba se mostrando muito mais que uma série de momentos absurdos, pois o lado psicológico é muito bem trabalhado. Então querendo ou não, da maneira mais fácil ou da mais difícil o personagem-fugitivo vai ter que avaliar a sua própria vida e claro tentar lembrar-se da razão para ter sido internado aos cuidados de um médico sádico e por que esse ônibus é a sua única opção de transporte, e fica a critério do leitor fazer o mesmo.

- Você esta como a maioria, meu amigo: sabe muito pouco de tudo. (pg.21)

Vista de Arles com lírios
A narração segue em uma (alta) velocidade que combina com a trama, já que o jovem esta passando por uma fase turbulenta e confusa, tudo ajuda no clima da leitura. Fora que a ideia de viajar pelas telas de Van Gogh é fascinante e invejável, tive aquele sentimento agridoce de querer e não querer estar ali. Não posso deixar de ressaltar as belas citações entre cada capítulo, eu adoro citações, e acho que elas enriqueceram a leitura. Contudo esse livro além de trazer uma leitura de entretenimento, apresenta bastante material de reflexão – com assuntos sérios que merecem atenção – mas tudo sem lição de moral e imposições, o que é excelente. Recomendo!

Título: Estação Jugular
Autor: Allan Pitz
98 páginas
Selo Desfecho Romances da Editora Multifoco
Nota:

14 de julho de 2011

Bruto, Thedy Corrêa

Eu posso escrever outro livro apenas repetindo as palavras dele. Dia 14 de maio deste ano eu e a Claudia tivemos o privilégio de assistir a um show desta banda a qual ele é o vocalista. Mas estou aqui para contar como foi ler pela 1ª vez um impresso de poesias. Rever alguns versos e encontrar outros que não conhecia.
Thedy estava ali na minha frente e tudo que consegui foi chama-lo de mestre e agradecer por trazer a público seu talento e repetir a frase que ele jura adorar ouvir:
"-sempre penso que você escreveu suas músicas pra mim."
Ele conta que ama ouvir isso e pede que eu diga qual ... 'Eu não entendo' foi a que me veio na hora, mas o Nenhum de Nós tem muitas músicas que eu amo, pois as letras contam a minha história e foram parte da trilha sonora da minha vida, são elas: Extraño, Você vai lembrar de mim, Paz e amor, Camila Camila, Astronauta de Marmore, Eu não entendo, Da janela, Julho de 83, Um girassol da cor de seu cabelo, Amanhã ou Depois ... citaria outras mas essas são as que nunca saem do meu MP3. E o novo CD deles Contos de agua e fogo é simplesmente maravilhoso.
Dos versos que nunca tinha lido gostei de muitos, e mais uma vez me encontrei nas palavras do senhor Corrêa.
Paraíso
"...
eu não tenho o paraíso
pra te oferecer
no fim da viagem
no fim desse rio
um oceano nos espera
no fim desse rio
..."
Eu sei que não deveria colocar toda uma poesia dele aqui, mas minha vontade é que vocês leiam estas páginas também e se encontrem neste mar que eu amei ...
Mentira e tiros
"não adianta me bater
nem dizer que vai me matar
eu não sei se foi tão boa assim
a traição que eu vim lhe confessar
sem essa de cair de joelhos
e pedir para você me perdoar
eu não estou arrependida
é você que vai se desculpar

desculpas!
se quebrou suas promessas
desculpas!
se não soube me amar
desculpas que um dia nos uniram
mentiras que hoje não importam mais

eu não ligo para o que
os outros vão dizer
eu não ligo para os nomes
que vão nos chamar
só pense, meu querido
que um tiro tem o poder
de fazer tudo isso mudar"
O livro ainda trás histórias do que inspirou algumas canções e poesias, essas eu não vou contar. Vou terminar com alguns dos meus versos favoritos, desejando a quem ler minha resenha que encontre o Thedy da sua vida, porque não há nada mais precioso que as belas palavras cantadas ou ditas especialmente para você.
"... flores na cabeça
nossos pés descalços
nossa vida toda de
paz e amor ..." - Paz e amor
"... adolescência vazia
eu tinha quase dezesseis
ninguém me compreendia
e eu não compreendia ninguém ..." - Julho de 83
"... as vezes peço a ele que vá embora ...
mas o ódio cega e você não percebe ...
e eu que tenho medo até do seu olhar
mas o ódio cega ...
havia algo de insano naqueles olhos ...
os olhos que passavam os dias
a me vigiar ...
e eu que tinha apenas dezessete anos
baixava minha cabeça pra tudo
era assim que as coisas aconteciam
era assim que eu via tudo acontecer ..." - Camila Camila
"... tudo bem se não deu certo
eu achei que nós
chegamos tão perto
mas agora - com certeza - eu enxergo
que no fim eu amei por nós dois ..." - Você vai lembrar de mim
" ...eu amei e acho que
algumas vezes
ela também me amou
só que o prazer
é tão curto
eu amei e acho que
algumas vezes
ela também me amou
só que o esquecimento
é tão longo ..."- Extraño
"...deixamos para depois
a troca de carinho
deixamos que a rotina
fosse nosso caminho ..." - Amanhã ou depois
"... eu olhava para todos para enxergar
tanto espaço dentro de mim" - Diga a ela
"...eu não entendo a sua volta
eu não entendo a sua indecisão
num dia sou seu grande amor
no outro dia não ..." - Eu não entendo
Título: Bruto
Autor: Thedy Corrêa
134 páginas
Editora L&PM
Nota:
Carla Charão

13 de julho de 2011

O Herói Perdido, Rick Riordan

O Herói Perdido é o 1º livro da série – Os Heróis do Olimpo. Rick Riordan virou um dos meus autores favoritos por causa da série Percy Jackson e os Olimpianos, depois lançou a A Pirâmide Perdida – da trilogia As Crônicas de Kane. Mas sabem o que dizem sobre amor antigo né? O Herói Perdido me prendeu desde a 1ª página pelo retorno ao mundo de Percy Jackson, e mesmo adorando o Percy, ele não fez muita falta na história (ah sim, ele está desaparecido). Essa narração é feita por três novos personagens:
Sete meios-sangues responderão ao chamado.
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.
Um juramento a manter com um alento final,
E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.
Jason recém acordou no ônibus escolar durante um passeio da turma, o problema é que ele não lembra nada sobre si ou sobre os seu melhor amigo e namorada (?) que o estão acompanhando. Para completar o cenário, na visita ao Grand Canyon à turma é atacada por alguns Espíritos da Tempestade que insistem em não morrer, também era de se esperar que três meios-sangues juntos chamassem a atenção de alguns monstros, durante a briga alguns deles descobrem algumas novas habilidades, e isso acaba sendo algo muito conveniente e confuso.

Leo é o melhor amigo de Jason e o piadista da turma, assim como os outros alunos, foi parar nesse reformatório por problemas de comportamento e/ou por já ter sido expulso de escolas demais. Esse personagem além de muito carismático, acrescenta bastante a trama, pois ele tem uma história muito triste, perdeu a mãe cedo e esta sozinho desde então, contudo sempre tenta ver o lado bom de todas as situações, e isso faz dele um parceiro ideal para qualquer momento (ou missão?).

Piper é a namorada de Jason, ou gostaria de ser, afinal recentemente ele se esqueceu dela (e de tudo), o que é bem triste, pois ela já estava bem frustrada com o seu pai – que insiste em mantê-la o mais longe possível, e agora perdeu o namorado. O bom é que ela é forte e não vai se abalar assim tão facilmente, ela e Leo como bons amigos que são vão ficar ao lado de Jason nesse momento difícil, não deve ser fácil perder a memória e ser obrigado a confiar no que estranhos dizem, ainda mais quando se é atacado por forças estranhas.

Como não poderia deixar de ser, os três narradores são filhos de algum Deus ou Deusa ilustre e vão ter que aprender a lidar com esse novo lado de suas próprias vidas. Depois do confronto no Grand Canyon o trio é resgatado por Butch e Annabeth e levado para o acampamento Meio-Sangue. Os novatos são bem recebidos é claro, só que o clima lá esta estranho com o sumiço de Percy, o silêncio dos Deuses e a profecia que anuncia uma batalha ainda pior do que aquela contra Cronos. A trama é uma aventura do inicio ao fim, com uma missão misteriosa cheia de obstáculos pelo caminho. Acompanhamos os três novos campistas de perto, cada um com seus dilemas e conhecemos com eles novos personagens e reencontramos outros que já haviam aparecido na série do Percy Jackson, porém tudo parece novidade com a genial introdução da história de Roma, a comparação dos Deuses em sua forma Grega ou Romana, esse novo elemento é uma cartada de mestre do autor, o acampamento meio-sangue sempre pareceu bem promissor e com grande potencial para novas histórias e o fato de Rick Riordan ter conseguido enriquecer ainda mais esse mundo é incrivel, superou as minhas expectativas, a narração é mesmo muito bem desenvolvida e amarrada, no final alguns enigmas chave são esclarecidos e tem “O” gancho para continuação – demais, mal posso esperar pela continuação.

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Título: O Herói Perdido
Original: The Lost Hero
Autor: Rick Riordan
Tradução: Rodrigo Peixoto
440 páginas
Editora Intrínseca
Site da Série
Série Os Heróis do Olimpo
  1. O herói perdido
  2. O filho de Netuno
  3. A marca de Atena (2013 no Brasil)
  4. Ainda sem título (2013)
  5. Ainda sem título (2014)

11 de julho de 2011

Resultado do Sorteio do Kit Um Amor para recordar, Nicholas Sparks

Olá leitores! A ganhadora do Kit não apareceu, mandei mais de uma mensagem no Twitter, ela esteve por lá twitando e nada de responder então vou refazer o sorteio :) ... quem vai ganhar um lindo Kit da Novo Conceito??

O Kit com Livro (Um Amor para Recordar) + Caixinha de Desejos para montar + um mini bloco de mini post-its + caixa personalizada vai para...

 Parabéns @fermmc  :) envie seus dados para o e-mail claudiacarpim@gmail.com 

7 de julho de 2011

Um dia, David Nicholls

Estou em uma maré boa de leitura, um livro excelente atrás do outro. Um dia é um que eu achei que iria gostar, mas a verdade é que o amei, tanto Emma quanto Dexter me conquistaram – cada um a sua forma – e durante toda a leitura eu tinha muito medo do que poderia acontecer com eles a seguir, medo que tudo desse errado quando a vida deles ia bem e medo que tudo piorasse quando já estava ruim – e por sentir isso é que ele vai para a lista de favoritos, não é sempre que um livro muda algo em você.

O estilo dessa narração é bem diferente, tudo começa no dia 15 de julho de 1988, quando Emma e Dexter se conhecem oficialmente, eles frequentaram a mesma faculdade por quatro anos, no entanto conversaram pela primeira vez no dia da formatura, passaram a noite juntos – entre outras coisas - conversaram muito sobre a vida, sobre tudo ... e nada; e a partir daí acompanhamos a história de amor e amizade dos dois. Cada capítulo apresenta o que esta acontecendo no dia 15 de julho dos anos seguintes sob o ponto de vista de cada um. Em alguns anos eles passam o dia juntos, em outros vemos o que cada um esta fazendo, algumas vezes estão passando por momentos importantes e decisivos e em outras é apenas mais um dia normal. Foi incrível acompanhar - devido ao talento do autor - o amadurecimento dos personagens, o caminho cheio de obstáculos, os sentimentos, a confusão, os desencontros - afinal 20 anos é muito tempo - e a trama toda ficou fluída, excelente.

Emma é uma jovem brilhante, muito inteligente, cheia de princípios e ideais, uma pessoa de opinião forte, feminista, sincera, engraçada – ela tem um grande coração e no fundo é uma romântica incurável. Ninguém é perfeito, ela poderia ser invencível, mas muitas vezes se deixa levar pela insegurança e a sua natureza negativa e birrenta.
- Tacos são de milho, burritos são de trigo. Basicamente, se esfarelar e queimar a sua mão é um taco, se esparramar e vazar banha vermelha ni seu braço é um burrito. (p.52)
Dexter eu defini como um homem cachorro, ele pode ser um cretino, mas é adorável – eu sei isso é absurdo, acontece que o carisma dele não tem fim, saí da página e te convence de que apesar de suas atitudes – algumas vezes deploráveis – ele é sim uma boa pessoa – fora que Emma é tão querida e ela ama o Dexter e isso também leva a acreditar que ele não pode ser tão mal assim. Dexter é um cara de sorte, ele vem de uma família rica, é lindo e charmoso – e tem muita habilidade no quesito social, é a alma da festa. É menos obstinado que Emma, a sua ambição é se divertir, para o futuro ele almeja ser bem sucedido em um trabalho glamoroso, só não sabe ao certo em que.
Dexter expirou pelo nariz e se ajeitou na cama, examinando o mal-ajambrado quarto que ela aluga, sabendo com absoluta certeza que em algum lugar entre os cartões-postais de arte e cartazes de peças de teatro alternativo haveria uma fotografia de Nelson Mandela, como uma espécie de namorado ideal que só existe no mundo dos sonhos. (p.18)
Achei que seria estranho as passagens longas de tempo, acontece que se a gente parar para refletir - o autor tem razão, é uma ilusão a ideia de que mudamos assim de uma hora para outra, muitas vezes de um ano para outro pouquíssimas coisas mudaram, então é fácil se identificar com a história dos personagens, suas conquistas e frustrações. Ficou muito bem desenvolvida a narrativa sendo contada pelos dois, de alguma forma fica mais justo não é? Cada um apresenta o seu lado, fora que em vários momentos é exposto não apenas o que os personagens falam, como o que eles pensam também, isso torna a experiência da leitura mais envolvente e intimista. Esse é o tipo de história que pode ser dolorosamente familiar ou no mínimo o leitor pode se ver um pouco ali, duas pessoas bem diferentes, ligados por essa relação indefinida, são amigos – às vezes um ou o outro quer mais, ou os dois querem, mas o momento passa ou ninguém verbaliza a ideia – diferente de certos livros em que tudo é perfeito ou uma tragédia grega – Um dia é como a vida real, não existe preto no branco, apenas milhares de tons de cinza. Além de um romance, esse livro é uma viagem que gera sentimentos conflitantes, com momentos engraçados, muito tristes, mas o mais importante – é sempre intenso. 

Título: Um dia
Original: One Day
Autor: David Nicholls
Tradução: Claudio Carina
413 páginas
Editora Intrínseca
Página do Livro no site da Editora, com guia de leitura e muito mais.
Nota:
Trailer do Filme

6 de julho de 2011

Como os mercados quebram, John Cassidy

Adoro ler sobre econômica, é um tema fascinante, tudo que considero complexo ou difícil me atrai. Como os mercados quebram traz as explicações da bolha na bolsa de valores norte americana em 2007 e o que aconteceu com o mercado imobiliário nos EUA logo em seguida.

Eu aposto que essa bolha respingou em você também, porque eu tive que esperar sete meses para poder voltar ao trabalho, tudo porque os bancos americanos eram (e provavelmente ainda são) muito mal administrados. Quem não se lembra do famoso encontro de CEO’s bancários com o presidente Barack Obama. Essa reunião foi muito criticada, pois tais CEO’s viajaram a Washington nos jatos particulares ou de seus respectivos bancos. Cada viagem em um jato não custa menos de U$ 20.000,00, enquanto uma passagem na classe econômica de um voo comercial dentro dos EUA pode custar uns U$99,00. Esse debate ocorreu para que o governo recebesse formalmente o pedido de auxilio aos bancos que estavam quebrando. A solicitação de 295 bilhões de dólares soou absurda até para o povo norte americano. E curiosamente em poucos dias a noticia de uma gripe avassaladora veio a público. Não digo que a gripe foi inventada, acho que foram (e ainda é) tristes as mortes causadas por esta enfermidade, mas que uma noticia “abafou” a outra disso tenho certeza.

O livro traz detalhes incríveis das distorções e da ganância posta em prática pelos bancos. Foi uma lei aprovada pelo então presidente da época, George W. Bush que deu aos banqueiros plenos poderes para criarem desde investimentos, ações, planos de aposentadorias privadas, todos os produtos nos formatos que ‘eles’ achassem melhor para apresentar aos seus clientes.

Há alguns anos a economia americana gira a base de consumo só pelo consumo e isso tem sido não só motivo de orgulho como realmente manteve o país prosperando. Mas as indústrias cada vez mais deixam os EUA por causa da mão de obra extremamente barata do oriente. E sem se dar conta à comunidade norte americana seguiu consumindo, sem enxergar que o mercado de trabalho está mudando.
Com essa liberdade dos bancos, o mercado imobiliário prosperou em pouquíssimo tempo, muitos “empresários” ficaram ricos da noite para o dia, pois algumas cidades os imóveis se tornaram tão caros que o aumento ultrapassou a casa dos 100% em praticamente um ano. Aproveitando este nicho os bancos facilitavam a compra de casas com prestações baixas “a perder de vista”, e incentivavam as pessoas que já possuíam casas a fazerem novas hipotecas para receber empréstimos e dessa forma mudar as regras do jogo. Os novos contratos de financiamentos para imóveis continham cláusulas muito difíceis de compreender e passado um ano de realizados estes financiamentos as prestações dobravam ou triplicavam de valor. Isso causou não só a falência, mas também o despejo de milhares de famílias de suas casas, e os bancos que por sua vez recebiam essas casas como pagamento dessas dívidas, se viram em uma situação complicada, pois quem iria comprar casas num país de falidos?

Esses mesmos bancos que convidavam seus clientes a comprarem ações de seus grupos de empresas, e empurravam planos de aposentadoria e outros investimentos como CDB’s, todos apresentados como de pouquíssimo risco e alta rentabilidade, no livro há explicações preciosas de porque não se deve fazer esse tipo de ‘investimento’ sem conhecer muito bem o produto.

Porque os mercados quebram, esclarece cada um desses atos, porque eles ocorreram quem está por traz de cada ação criminosa, além é claro de informações que eu não coloquei aqui. E mais, John Cassidy trás sua visão e ideias de como reverter o problema enquanto é tempo. Recomendadíssimo para todas as idades, pois não é porque você vive no Brasil (ou sabe ler português) que esses fatos não são do seu interesse também. 

Título: Como os mercados quebram: a lógica das catástrofes econômicas
Original: How Markets Fail
Autor: John Cassidy
Tradução: Berilo Vargas
390 páginas
Editora Intrínseca
Nota:
 Carla Charão