Esse
graphic novel é o meu primeiro contato com esse tipo de trabalho do Neil Gaiman,
e primeiro contato geral com Dave McKean. Roteirizado
por Gaiman e Ilustrado por McKean, Sinal e Ruído, é um projeto de volume único
que marca o inicio de uma parceria entre os dois artistas. Publicado primeiro
em uma revista em 1989, anos depois a história foi revisada e expandida até
virar esse livro de 96 páginas.
Na
obra, antes da história em si, o leitor tem acesso a um conteúdo extra que
muito me agradou. A introdução da edição original por Jonathan Carroll, comentários
de Neil e Dave e três histórias curtas:
Destrua - um recorte e cola, uma das três
histórias curtas que levaram a solicitação de sinal e ruído, reflete um pouco
sobre 1984, George Orwell.
Desconstrução - é uma poesia, a imagem e o texto são
trabalhados juntos - de forma literal - a palavra caindo ... caindo de verdade, é sobre inspirações e conexões.
Fronteiras - é um texto sobre o Muro de Berlin, sobre
muros visíveis e invisíveis.
Além
disso, entre os capítulos eles deixaram textos aleatórios, que [pelos
comentários] para alguns críticos – são uma baboseira sem sentido e para outros
- a parte mais importante da obra. Eu gostei deles, alguns achei bem
interessantes, poéticos e significativos e outros loucos e sem sentido mesmo
[rsss].
(acho que ele é ator. Em Hollywood, até o sujeito que limpa a sua piscina é ator. O homem que entrega o seu exemplar da Variety é ator. Acho que não sobrou nenhuma pessoa de verdade lá.)
Sinal
e Ruído é sobre um diretor de cinema que descobre que esta com câncer, ele tem
pouco tempo de vida. Isso além de assustador e deprimente atrapalha os seus
planos, ele estava pronto para iniciar uma nova produção, a sua obra prima – a história
de um grupo de personagens aguardando a vinda do apocalipse em 999 d.C. Agora
sem tempo suficiente para completar o trabalho, ele o inicia assim mesmo, em
sua mente, ele cria uma sessão exclusiva para o leitor.
Antes
de comentar mais, devo avisar que não sou leitora habitual de quadrinhos e a
minha opinião sobre o Neil Gaiman é um pouco afetada pela admiração que sinto
por ele.
Achei
a história excelente, as ilustrações são lindas e bizarras, o filme é um pouco
louco, mas estranhezas a parte, tem algo de muito humano no protagonista e (por
consequência) na trama, e não apenas pelo fato dele estar morrendo e isso tornar
mais fácil a identificação, criar um laço de simpatia ou emocionar, mas as suas
reflexões e medos – por exemplo, o lance de aquela ser a sua obra prima, é tão realista
considerar o seu melhor trabalho exatamente aquele que nunca será finalizado, afinal
é assim com tudo que apenas idealizamos. Como aquela pessoa que você ama/amou,
mas nunca teve uma relação real, é perfeito, pois nunca teve a chance de ser
estragado pelas pessoas. Outro exemplo, a decisão de continuar o projeto –
mesmo que de forma interna, ignorando qualquer conversa sobre a doença e seu
tratamento, não poderia ser mais verdadeiro. A negação.
Então
além de acompanhar o filme estranho (e genial), a vida do diretor acrescenta várias
camadas de elementos à narração. As ilustrações marcam bem o tom de cada
momento, são realmente belas e coerentes com o texto, é uma obra bem polida.
A
Edição: A minha edição é a "especial", comprada no Submarino. A capa é mole –
como os livros brochura - e sem abas. O papel das páginas é de boa qualidade, não esta especificado o tipo.
Algo
que me incomodou foi o tamanho da fonte em alguns momentos, ela aparece de tamanhos diferentes e em algumas partes com fundo escuro e sem balões - a fonte ficou pequena e fina, dificultando a leitura.
Título: Sinal e ruído
Original: Signal to noise
Original: Signal to noise
Roteiro: Neil Gaiman
Arte e Design: Dave McKean
Tradução: Alexandre Boide

A única história nesse formato que eu li foi uma releitura de Frankenstein para a escola uns anos atrás. Confesso que não sou muito fã desse formato de livro, mas a história desse me chamou atenção.
ResponderExcluirGabi
Quando falamos em fantasia urbana um dos grandes nome é obviamente Neil Gaiman! O cara criou Sandman! Esses materiais extras em HQs são uma maravilha! Deixam a leitura melhor. Os trabalhos do Gaiman são meio atípicos mesmo, misturam insanidade com coisas lúcidas, isso que o deixa tão bom. O que me atrai no Gaiman é que ele consegue deixar a fantasia tão real e tão presenta até mesmo na sujeira de nossos sapatos. Sei que é meio estranha essa minha comparação, mas é a melhor forma que encontrei para expressar o que sinto por ele. As ilustrações sombrias são um deleite! *-* Parabéns, a sua resenha da HQ ficou muito boa. :)
ResponderExcluirBeijos!
http://policialdabiblioteca.blogspot.com/
Tenho só 1 livro do Neil Gaiman, mas morro de vontade de conhecer as obras dele...
ResponderExcluirNão conhecia esse livro ainda, mas parece bem legal, bem louco, bem Neil Gaiman, rsrsr
Nunca li nenhuma graphic novel, mas seria uma experiência interessante, acho.
Ah, essas edições "especiais", rsrs Que bom que o papel é de qualidade :D
Beijão, Cláudia!
GN não é meu tipo de material de leitura favorito, Claudia...mas se tratando de Neil Gaiman...eu realmente não sei, só leio elogios sobre ele. Vc, como profunda admiradora dele, poderia me indicar algo para começar a ler sobre. O que acha? Topa?
ResponderExcluirBeijos! Estava morrendo de saudades de passar por aqui..o trabalho está me consumindo! x_x
Nunca li nada do autor, infelizmente, mas já comprei lugar nenhum e pretendo lê-lo em breve.
ResponderExcluirEu vi no Submarino esse livro em promoção e nem comprei ",
mas vou em breve!
Beijinhos
Poxa bem interessante. Nunca li nada do Gaiman, mas tenho um aqui na fila. Fiquei interessada por esse tb =D
ResponderExcluirNão gosto muito de Grafic Novel... não é um estilo que me agrade muito.
ResponderExcluirAdoro o Gaiman! *-* Sou apaixonada por Coraline!
beijo!
Primeira vez por aqui e adorei. Parabéns! :)
http://milalices.blogspot.com.br/2012/05/821-111.html