Delírio
é o primeiro livro de uma trilogia, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca,
assinado pela mesma autora de – Antes que eu vá – Lauren Oliver.
Antes que eu vá é um livro único, um romance juvenil inteligente e profundo sobre bullying, já fiz resenha sobre ele aqui. É um dos meus livros favoritos do gênero, então estava ansiosa para ler o novo livro da autora. Fico feliz em dizer que ela superou as minhas expectativas.
Antes que eu vá é um livro único, um romance juvenil inteligente e profundo sobre bullying, já fiz resenha sobre ele aqui. É um dos meus livros favoritos do gênero, então estava ansiosa para ler o novo livro da autora. Fico feliz em dizer que ela superou as minhas expectativas.
Delírio se passa nos Estados Unidos, em um futuro próximo. Nessa distopia, o amor é considerado o responsável por (quase) tudo de ruim que aconteceu no passado, é uma doença que afeta muito as pessoas, tornando-as imprevisíveis. Quarenta e poucos anos atrás, a cura da deliria nervosa finalmente foi encontrada e todos os cidadãos devem passar por um procedimento cirúrgico aos 18 anos – idade em que os riscos da cirurgia diminuem consideravelmente – para finalmente estarem fora de perigo. Além da aplicação da cura, as pessoas
A fronteira dos Estados
Unidos foi fechada completamente, ninguém entra ou saí do país, pois o resto do
mundo sofre com uma epidemia de deliria nervosa, eles não tem a cura, ou seja,
estão condenados. As cidades também são fortemente cercadas, e existe toda uma
burocracia para sair da sua cidade ou estado. O motivo disso, é que apesar das
fronteiras fechadas, no próprio país, existem Simpatizantes – pessoas que vivem
em sociedade e fingem concordar com as regras, e Inválidos – que nasceram nas
florestas ou fugiram para lá antes de receber a cura. Essas pessoas, quando capturadas,
são mortas ou presas sem direito a nada.
Acho que situei como funciona o “mundo” do livro, por ser o 1º de uma trilogia, a autora apresenta e descreve bem os elementos dessa realidade, como as pessoas sãocontroladas poupadas de maiores dificuldades, gosto
muito da forma como ela escreve, mesmo com a introdução de tudo, não ficou
chato ou lento.
Acho que situei como funciona o “mundo” do livro, por ser o 1º de uma trilogia, a autora apresenta e descreve bem os elementos dessa realidade, como as pessoas são
“O Dia da Avaliação é um rito de passagem emocionante, que o prepara para um futuro de felicidade, estabilidade e parceria.” [pág. 21]- Sabe que não é possível ser feliz a não ser que às vezes se sinta infeliz, certo? [pág. 24]
A
narração em primeira pessoa é feita por Lena, de 17 anos, ela teve uma vida
turbulenta, comparada a das outras garotas e ao que o governo deseja que seja o
padrão. O pai dela morreu, ela e a irmã mais velha foram criadas pela mãe até o
início de sua infância, acontece que a mãe nunca respondeu bem a cura, passou
pelo procedimento três vezes e continuou infectada pela doença, que a levou a
morte. Então Lena e a irmã Rachel foram morar com os tios, acontece que sua
irmã também ficou doente antes da cura, felizmente com ela a cirurgia funcionou
e agora já esta casada e calma. Lena esta contando os dias para receber a cura, ela tem
muito medo do seu passado, ainda lembra-se do comportamento estranho... amoroso...
da mãe. A
narradora é diferente, ela não é uma beldade, nem uma mente brilhante – ela não
é exagerada – para o bem ou mal. Apesar
de estar sempre pensando em mil coisas sobre o governo, a cura, e o passado,
ela tenta ao máximo fazer tudo direitinho, não chamar a atenção, para ser bem
avaliada e casada. O que mais deseja é receber logo a cura e deixar para trás tantas
dúvidas e lembranças. É isso o que a cura faz, ela te acalma, os curados
não tem desejos/sentimentos intensos.
Claro que algo precisa
tirar Lena dos trilhos para dar continuidade à trama, primeiro - sua melhor amiga
Hana, começa a ficar inquieta com as mudanças e resolve aproveitar ao máximo o
tempo que resta, mesmo que para isso precise quebrar algumas regras, indo a locais não
autorizados e frequentando festas clandestinas. E depois, surge um cara, Alex –
um personagem excelente, cheio de vida e ideias, um alivio – sem excessos.
Hana, Alex e outras figuras fazem Lena questionar sobre tantas imposições do governo, sobre o tão temido ... amor. Talvez a dor do amor seja melhor
do que uma vida inteira de nada, de indiferença.
O
enredo por si é bem consistente, achei ótimo como a autora incluiu fatos e
algumas tramas famosas da literatura de forma coerente e que complementam e
enriquecem bastante a narração. É legal quando os livros ganham destaque nas
narrações – aqui o livro do Shhh – Suma de hábitos, higiene e harmonia – mostra
o valor, a força dos livros, essa leitura obrigatória esclarece os perigos do deliria.
Algo
que me incomodou um pouco, do inicio até o meio, foi Hana – ela é a melhor
amiga, nem tão amiga, que precisa menosprezar ou ter uma amiga “mais ou menos”
para sentir-se melhor, o que é ridículo, afinal ela é linda e maravilhosa, a corajosa e rebelde que acaba dando o empurrão necessário na outra.
Não é bem a personalidade dela que me incomoda, ou a da outra que aceita levar
na cabeça, mas sim, essas “melhores amigas” que precisam se esforçar mais para serem
chamadas de ... melhores. Igual, isso não atrapalha a narração de forma alguma,
Hana não é chata e até agita bastante as coisas.
A
ideia do amor como uma doença é tão fácil de visualizar, e achei bem original,
foram lançadas várias distopias com núcleo jovem no último ano, ainda assim,
Delírio deve se destacar, pois a autora sabe trabalhar muito bem os
sentimentos, ela sabe tocar onde dói, o leitor (eu pelo menos) vai tirar algo
daí, e isso nem todos conseguem. Esse livro é recomendado, pode agradar jovens e adultos.
Edição: A versão brasileira ficou muito bonita, a capa é brillhosa/metalica e de tom esverdeado. O miolo é de folhas amareladas. Antes de cada capítulo tem uma citação, algumas do Shhh.
Título: Delírio
Original: Delirium
Original: Delirium
Autora: Lauren Oliver
Tradução: Rita Sussekind
336 páginas
Intrínseca
Intrínseca
Trilogia Delírio:
- Delírio
- Pandemônio
- Requiem (lançamento nos EUA em 2013)















